Osteoporóse

O que é Osteoporose ?
Osteoporose, que significa osso poroso, é uma doença resultante da perda gradual da substância óssea que ocorre naturalmente com o envelhecimento, em todos indivíduos. Isso produz fragilidade do osso e aumenta o risco de fraturas, especialmente do quadril, coluna e punho.

A osteoporose é um fator de risco para fraturas assim como a hipertensão é risco para infarto do miocárdio ou derrame cerebral; se o osso é mais fraco, um trauma mínimo ou uma queda pode causar uma fratura ou um colapso vertebral.
A osteoporose afeta uma grande quantidade de pessoas e a prevalência aumenta com a idade da população. Existem 10 milhões de pessoas acometidas pela osteoporose no Brasil (Fonte : Revista Veja - edição 1658 /julho 2000);

2- Fatores de Risco:

Alguns destes fatores de risco não podem ser modificados, outros são possíveis de serem alterados, a fim de poder diminuir o risco do surgimento da osteoporose.

Fatores de Risco não modificáveis :

- Sexo Feminino : As mulheres podem perder até 20% da massa óssea nos 5 a 7 anos após a menopausa, tornando-as mais susceptíveis a osteoporose
- Indivíduos de constituição delicada
- Raça branca e amarela
- Idade avançada
- História familiar de osteoporose

Fatores de Risco potencialmente modificáveis :

- Baixo peso do corpo (menor que 58kg)
- Deficiência de estrógeno :
Existente no período pós-menopausa
Menopausa precoce (ocorrendo em idade menor que 45 anos) ou ooforectomia bilateral (retirada cirúrgica dos ovários)
Amenorréia pré-menopausa prolongada (ausência dos ciclos menstruais por período prolongado, antes da menopausa)
- Anorexia nervosa ou bulimia
- Café, fumo e cigarro
- Dieta baixa em cálcio
- Excesso de proteínas e fibras, na alimentação
- Medicamentos, como anticonvulsivantes e corticóides
- Sedentarismo
- Baixos níveis de testosterona, no homem

 

3- Sintomas:
A osteoporose é uma "doença silenciosa", normalmente produz poucos sintomas. Todavia é comum a queixa de dor nas costas, que pode ser por contratura muscular ou por microfraturas (pequenos achatamentos das vértebras, não visíveis ao raio-x); em outros casos existe até mesmo uma fratura por compressão.

Aliás, às vezes a primeira manifestação da osteoporose é uma fratura. Pode ser considerada uma "ladra", pois "furta" a massa óssea sem que a pessoa se dê conta !

Também freqüentemente pode existir deformidade da coluna, a corcunda, com diminuição da altura da pessoa, devido ao achatamento progressivo das vértebras.
4- Fraturas Osteoporóticas:
As fraturas e suas complicações são relevantes seqüelas clínicas da osteoporose; quase todas as fraturas em idosos são devidas, em parte, à baixa densidade óssea. Afetam todos os ossos, porém os mais frequentemente fraturados são os ossos do quadril, coluna, punho e costelas.

As fraturas vertebrais podem causar complicações importantes, como dor nas costas, diminuição da altura corpórea e cifose (dorso curvo ou corcunda). Nem toda fratura vertebral é causada por osteoporose. É necessária uma investigação clínica rigorosa para determinar a causa.
A dor, limitação física e mudança no estilo de vida associadas às fraturas do quadril e das vértebras podem causar sintomas psicológicos, como depressão, ansiedade, medo ou até mesmo ira, que também atrapalham a recuperação.
As pacientes que já tiveram uma fratura osteoporótica têm um alto risco de ter novas fraturas, risco este que pode ser diminuído com tratamento apropriado, até mesmo em indivíduos mais velhos.
5- Diagnóstico:
Uma densitometria pode detectar uma baixa densidade óssea, antes de uma fratura ocorrer; prever as chances estatísticas de ocorrer uma fratura no futuro; auxiliar um diagnóstico de osteoporose se existiu uma fratura e determinar a sua taxa de perda de osso a ainda avaliar os efeitos do tratamento.

A densitometria está indicada para :

1) Todas as mulheres após menopausa com idade abaixo de 65 anos e que tenham um ou mais fatores de risco adicionais para um fratura osteoporótica (além da própria menopausa)

2) Todas as mulheres com idade de 65 anos ou mais, com ou sem fatores de risco adicionais.

3) Mulheres pós-menopausa que têm fraturas (para confirmar o diagnóstico e determinar o grau de perda da massa óssea)

4) Mulheres que estão pensando em terapia para osteoporose, caso a densitometria facilite a decisão

5) Mulheres que fazem terapia de reposição hormonal por períodos prolongados

 Eventualmente o resultado da densitometria óssea pode mostrar uma osteopenia. Isso significa que a densidade do osso está mais baixa do que o normal, mas não baixa o suficiente para ser chamada de osteoporose.

Se a osteopenia é diagnosticada no primeiro exame não indica necessariamente que esteja ocorrendo perda de osso; pode ser que o pico de massa óssea por alguma razão, inclusive genética, seja abaixo do ótimo.

É impossível prever se a osteopenia vai progredir para a osteoporose ou não, mas um diagnóstico de osteopenia deve ser visto como uma oportunidade de procurar proteger a estrutura óssea.

As pessoas com osteopenia devem procurar prevenir uma perda de massa óssea futura. Uma alimentação rica em cálcio, ingestão adequada de vitamina D, exercícios, evitar fumo e consumo em excessivo de bebidas alcoólicas são fundamentais a saúde do osso. O uso de medicamentos pode ser necessário, dependendo da avaliação.
6- Prevenção e Tratamento:

Boa alimentação, particularmente ingestão adequada de cálcio e vitamina D.

Deve-se procurar ter um estilo vida saudável, evitando o álcool e fumo e praticando exercícios físicos.

Para evitar quedas, deve-se usar calçados com sola de borracha, nunca os escorregadios; evitar andar de meias ou chinelos; procurar apoio de bengala ou andador quando for preciso aumentar a estabilidade da marcha; tomar cuidado com pisos lisos, muito polidos e molhados; usar barras de apoio nas paredes do banheiro, tapete de borracha no chuveiro ou na banheira; os vãos de escadas devem ser leves; é preciso ter corrimão em ambos os lados; utilizar pequenas luzes de orientação para auxiliar a locomoção dentro de casa, à noite; evitar tapetes, objetos soltos pelo chão e qualquer coisa que proporcione tropeços, até mesmo animais domésticos; melhorar as condições da visão.

Eventualmente para idosos pode ser importante a suplementação com cálcio e vitamina D.

 

Cálcio :
 

A principal fonte de cálcio na dieta é o leite e seus derivados, mas existe também em vegetais como espinafre, agrião, brócolis e couve-manteiga.
 
Muitas vezes é difícil obter a quantia necessária apenas da dieta, nesses casos pode estar indicada a suplementação, com medicamentos. Seu médico é a pessoa mais indicada para saber se você pode receber suplementação, quanto deve ser sua necessidade e o tipo de suplemento mais adequado para seu caso.

Vitamina D :

A vitamina D é sintetizada na pele pela ação dos raios solares ultravioleta e sofre transformações no fígado e rins para transformar- se em sua forma ativa.

Para o nosso clima tropical o mínimo de exposição solar diária é suficiente para a ação dos raios solares. A vitamina D favorece a formação óssea e facilita a absorção intestinal do cálcio.

É encontrada em alimentos como leite, queijos, óleo de fígado de bacalhau, ostras, camarões e peixes, especialmente cavalinha, salmão, sardinha e atum.

Uma suplementação com 400 a 800 UI (unidades internacionais) de vitamina D é recomendada para pessoas com risco de deficiência, como idade avançada, portadores de doenças crônicas e sedentarismo.
 
Exercícios :


Os exercícios precisam fortalecer os músculos para que estes atuem sobre os ossos, assim sendo, exercícios com sustentação do peso do corpo (onde os ossos e músculos trabalham contra a gravidade enquanto os pés e pernas agüentam o peso do corpo) são mais efetivos para fortalecimento ósseo.

Um programa ideal de atividade física deve ter exercícios aeróbios de baixo impacto, exercícios de fortalecimento muscular e outros para melhorar o padrão da marcha, o equilíbrio e os reflexos, a fim de diminuir a incidência de quedas.

Medicamentos :

Antes do início de qualquer tratamento farmacológico é necessária a conscientização da importância do cálcio, da vitamina D e dos exercícios como parte de qualquer programa de tratamento.

A escolha e prescrição de um medicamento só deve ser feita pelo médico, sempre levando-se em conta seus benefícios  e os possíveis efeitos colaterais.

1) Reposição Hormonal

1.1 Estrógenos

Os estrógenos inibem a reabsorção óssea e, possivelmente, também possam atuar na formação. Podem ser administrados por via oral, sublingual, transdérmica, percutânea, subcutânea ou intravaginal.

Os estrógenos bloqueiam a perda acelerada de osso que se verifica nos primeiros anos após a menopausa. Também melhoram o perfil das gorduras do sangue da mulher após a menopausa, podendo assim, indiretamente, auxiliar na prevenção das doenças cardiovasculares; protegem os dentes, o cérebro e diminuem o risco da doença de Alzheimer.

São contra-indicados quando existe grande tendência familiar de câncer de mama ou história pessoal de tromboflebite ou ainda de acidente vascular cerebral (derrame cerebral).

Existem evidências indicando que a administração de estrógenos associados à progesterona diminuem a incidência de câncer do útero relacionado à hormônios, mas não diminui a incidência do câncer da mama relacionada a estes hormônios.

Acredita-se que o tratamento prolongado com estrógeno (em torno de 10 anos) pode aumentar em até 43% a chance de ocorrer câncer de mama. Por outro lado, estatisticamente, o risco de fratura do quadril é igual à soma dos riscos de câncer de mama, útero e ovário e os estrógenos podem diminuir a incidência de fraturas da coluna em até 50% e do quadril, em menor escala.

1.2 Moduladores Seletivos dos Receptores de estrógeno (SERMs)

Têm uma ação semelhante aos estrógenos em alvos desejados, como ossos e fígado e ação contrária (ou atuação semelhante mínima) nas mamas e no útero. Atualmente a droga deste grupo mais utilizada é o raloxifeno.

Esse medicamento foi desenvolvido para promover os efeitos benéficos dos estrógenos sem suas desvantagens potenciais. Sua utilização é uma alternativa para pacientes pós-menopausa mas, da mesma forma que os estrógenos, também aumentam o risco de trombose venosa profunda.

Estudos atuais mostram que o raloxifeno pode diminuir a incidência de fraturas da coluna, mas não diminui a incidência de fraturas de quadril.
1.3 Isoflavona
A isoflavona, presente na soja, é um fitoestrógeno (substância vegetal, semelhante ao hormônio feminino estrógeno) que pode ter efeito benéfico na prevenção de inúmeras doenças crônicas, inclusive a osteoporose.
Estudo conjunto realizado na Escola Paulista de Medicina em conjunto com o Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Campinas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que 100mg de isoflavona em forma de cápsulas (divididos em 3 tomadas) por 16 semanas pode produzir melhora nos sintomas de menopausa, diminuição dos níveis de colesterol plasmático e do peso corporal.

2) Calcitonina

A calcitonina é um hormônio produzido pelas células C (parafoliculares) da tireóide. Utiliza-se mais freqüentemente como tratamento a calcitonina de salmão, na forma de spray nasal, à noite. Sua principal ação é inibir a reabsorção óssea e possui importante ação analgésica.

Pesquisas sugerem que seu uso pode diminuir a incidência de fraturas da coluna vertebral em 37%, porém não tende a alterar as taxas de fraturas do quadril.

3) Bisfosfonatos ( ex.: Alendronato )

Apresentam "atração" pela superfície do osso, diminuem a reabsorção e podem aumentar a formação óssea. Atualmente os mais frequentemente utilizados no tratamento da osteoporose são os alendronatos.

Estes são também indicados para aquelas que não querem ou não podem fazer reposição hormonal.

Estudo recente mostrou que esse medicamento pode produzir aumento de 5% da massa óssea dos corpos vertebrais e de 2,3% no colo femoral, além de proporcionar uma redução de 47% na incidência de fraturas não vertebrais.

As reações adversas mais comumente observadas com os alendronatos são dor abdominal e esofagite, em até 30% dos casos.
Existem cuidados especiais em sua administração para tentar melhorar a absorção: devem ser tomados com um copo cheio de água, em jejum e a pessoa deve esperar pelo menos meia hora para se alimentar e também não pode voltar a deitar.

4) Ipriflavona

Inibe a reabsorção e possivelmente também possa atuar na formação óssea.


5) PTH ( Hormônio da Paratireóide )
O primeiro medicamento capaz de estimular a formação de massa óssea, exclusivamente injetável, ele é indicado para o tratamento da osteoporose grave.
Até agora, todos os medicamentos disponíveis para tratar a osteoporose inibiam a reabsorção óssea, sendo  capaz de reduzir em 69% o risco de ocorrer uma segunda fratura de vértebra em pacientes que já entraram na menopausa há mais de 10 anos.A sua única desvantagem é o preso extremamente elevado.